{"id":9879,"date":"2011-11-08T07:51:59","date_gmt":"2011-11-08T07:51:59","guid":{"rendered":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/saibam-quantos-esta-carta-virem\/"},"modified":"2011-11-08T07:51:59","modified_gmt":"2011-11-08T07:51:59","slug":"saibam-quantos-esta-carta-virem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/saibam-quantos-esta-carta-virem\/","title":{"rendered":"Saibam quantos esta carta virem\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Carta aberta a Jos\u00e9 Alberto Tavim a prop\u00f3sito de o \u201cDicion\u00e1rio Hist\u00f3rico dos Sefarditas Portugueses. Mercadores e Gente de Trato\u201d.<br \/>\nEnglish version below.<\/p>\n<p>Sonhava o cego que via: sonhava o que queria<br \/>\nFernando Pessoa, Prov\u00e9rbios Portugueses<\/p>\n<p>No passado 2 de Dezembro foi publicado no sitio do Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Tropical (IICT) um texto intitulado \u201cUm dicion\u00e1rio hist\u00f3rico dos sefarditas portugueses?\u201d da autoria de Jos\u00e9 Alberto Tavim (JAT).<\/p>\n<p>Esta carta aberta n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o deve, nem pode ser, uma resposta a JAT, pelo simples facto de que escrita daquele jaez n\u00e3o tem (ou n\u00e3o deveria ter) lugar na comunidade cient\u00edfica. T\u00e3o s\u00f3 nos move a preocupa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de dar voz a um sil\u00eancio, que, se acontecesse, deixaria impune uma abjec\u00e7\u00e3o intoler\u00e1vel na vida acad\u00e9mica.<br \/>\nFalamos de um texto que finge ocupar-se da edi\u00e7\u00e3o do \u201cDicion\u00e1rio hist\u00f3rico dos Sefarditas Portugueses. Mercadores e Gente de Trato\u201d e que, n\u00e3o sendo uma cr\u00edtica, e muito menos uma recens\u00e3o, como \u00e9 usual, \u00e9 apenas uma tentativa de desacreditar o trabalho de outrem, um texto que perde a credibilidade porque tresl\u00ea de princ\u00edpio ao fim.<br \/>\nUm texto apasquinado, autof\u00e1gico, fora de toda a \u00e9tica universit\u00e1ria e da pr\u00e1tica da atividade cient\u00edfica, a trazer-me \u00e0 mem\u00f3ria a frase de Rabelais, j\u00e1 muitas vezes dita, mas que retenho de Edgar Morin: \u201cci\u00eancia sem consci\u00eancia \u00e9 mis\u00e9ria da alma\u201d. <\/p>\n<p>Se ao menos o texto de JAT deixasse transparecer, ou correspondesse a uma vis\u00e3o cr\u00edtica, acrescentaria valor e mereceria o meu respeito. Mas n\u00e3o; o autor revela-se algu\u00e9m que se compraz em encontrar em tudo coisas mal feitas, mesmo de entre aquelas que n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1. Ser\u00e1 uma quest\u00e3o de temperamento, dado que dou a benef\u00edcio de invent\u00e1rio que n\u00e3o seja um problema de intencionalidade mal resolvido.<br \/>\nEstamos perante um texto rancoroso, sem suporte anal\u00edtico s\u00e9rio, muito pr\u00f3ximo da den\u00fancia n\u00e3o se sabe bem porqu\u00ea, nem a quem aproveita. Como o cego que sonhava que via, tamb\u00e9m o autor do apasquinado viu o que quis. E por isso, para seu g\u00e1udio, criou um espantalho e, como na met\u00e1fora do n\u00f3 g\u00f3rdio, n\u00e3o tendo a seriedade necess\u00e1ria para desatar uma leitura atenta e cuidada, como lhe competia, cortou com palavras de azedume e de forma mordaz o n\u00f3 que, salvo melhor opini\u00e3o, s\u00f3 a ele, pessoalmente, o desacreditam.<br \/>\nTexto egoc\u00eantrico, centrifugador porque marginaliza todo o corpo do dicion\u00e1rio, de que claramente n\u00e3o se ocupou. Partindo da pretensa an\u00e1lise de textos da sua autoria, cuja informa\u00e7\u00e3o trabalh\u00e1mos, \u00e9 como se falasse em defesa da honra pessoal, supostamente ofendida. Engana-se. A autoria dos seus textos est\u00e1 salvaguardada de maneira expl\u00edcita, quer assim o entenda ou n\u00e3o.<br \/>\nColocada a quest\u00e3o \u00e9tica e sem necessidade de mais atento exame, passarei adiante.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, \u00e9 bom lembrar-lhe que, em qualquer sociologia da leitura, o autor n\u00e3o \u00e9 dono da sua escrita, uma vez publicitada; esta \u00e9 muito mais perten\u00e7a do leitor a quem incumbem as m\u00faltiplas leituras, criando, o que Paul Ricoeur chama de audit\u00f3rio do texto. Se quiser aprofundar o assunto, lembro-lhe o que seguramente n\u00e3o desconhece (ou n\u00e3o devia desconhecer): entre outras, algumas p\u00e1ginas de Umberto Eco (as que dedica \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o e aos seus limites e ainda a obra Lector in fabula); ou as de Paul Ricoeur, que t\u00e3o bons servi\u00e7os prestam \u00e0 polissemia e \u00e0 sem\u00e2ntica dos textos; ou Foucault para as quest\u00f5es referentes \u00e0 rela\u00e7\u00e3o biun\u00edvoca entre o leitor e o texto, por um lado, e o autor e o seu texto, por outro. Manifestamente, Susan Sontag, por si citada, n\u00e3o chega.<br \/>\nA informa\u00e7\u00e3o estruturada pelos seus textos e s\u00f3 essa, exclusivamente, nos interessou, foi trabalhada na perspetiva de uma pesquisa no dom\u00ednio da hist\u00f3ria econ\u00f3mica e social das comunidades sefarditas portuguesas, em conformidade com os objetivos ontol\u00f3gicos de um projeto de investiga\u00e7\u00e3o mais vasto do que seria natural para a feitura de um Dicion\u00e1rio. A \u00e1rea de trabalho deste, nada tem a ver com estudos de juda\u00edsmo, como de resto, claramente se define no texto de apresenta\u00e7\u00e3o do Dicion\u00e1rio e que at\u00e9, pessoalmente por mim lhe foi explicado*.<\/p>\n<p>Como metodologia de trabalho us\u00e1mos a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, tendo tido o cuidado de, permanentemente, remeter os nossos leitores, por via da cita\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica, para os estudos que nos serviam de refer\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o do nosso texto. Ainda aqui, inevitavelmente, os textos (os seus e os nossos) relacionam-se entre si, como sempre acontece na rela\u00e7\u00e3o intertextual, por via de filia\u00e7\u00f5es nem sempre bem explicadas, mas que pertencem por inteiro ao dom\u00ednio da interpreta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo se, por cima do rio das palavras se soerguesse sempre a fala de um autor ausente, o pr\u00f3prio JAT, e que, constantemente se recupera e rep\u00f5e no lugar que lhe \u00e9 devido. Por isso, a sua jeremiada a prop\u00f3sito de atropelos aos seus textos vale zero, porquanto a sua aus\u00eancia \u00e9 sempre, comprovadamente, uma presen\u00e7a ativa na nossa escrita. Certamente pod\u00edamos ter feito melhor. Como em tudo na vida, sempre se pode fazer melhor. Mas sempre a intentio textorum dos seus escritos foi respeitada.<br \/>\nEm todas as \u201centradas\u201d do Dicion\u00e1rio preserv\u00e1mos, por meio da cita\u00e7\u00e3o, a voz dos autores, recolhendo a informa\u00e7\u00e3o que estava mais pr\u00f3xima dos objetivos que t\u00ednhamos em mente, ou seja e uma vez mais, a que dizia respeito \u00e0 vida econ\u00f3mica e social dos agentes e, eventualmente, e para melhor compreens\u00e3o dos nossos leitores, num ou noutro ponto, a sua circunst\u00e2ncia.<br \/>\nAssim se construiu a discursividade historiogr\u00e1fica do Dicion\u00e1rio. Dizendo de outra maneira, ela \u00e9 o lugar onde se descreve a informa\u00e7\u00e3o que consider\u00e1mos significante para o nosso trabalho, sendo esta descri\u00e7\u00e3o, inevitavelmente, uma hermen\u00eautica.<br \/>\nDepois, se no tratamento que demos \u00e0 informa\u00e7\u00e3o original, a sua no caso vertente, alguma ambiguidade subsiste, assumimos eventuais situa\u00e7\u00f5es menos conseguidas, mas muito longe do pr\u00f3prio uso da sua textualidade. Mas se sentir os seus direitos amea\u00e7ados ou prejudicados, aja em defesa do que achar leg\u00edtimo. Diga que houve pl\u00e1gio \u2013 o que, prudentemente, n\u00e3o se atreveu a dizer, porque, de facto, n\u00e3o existe. Mas n\u00e3o tergiverse. N\u00e3o apouque. N\u00e3o insinue. N\u00e3o insulte. <\/p>\n<p>Retira m\u00e9rito ao Dicion\u00e1rio por entender ser grave que as entradas n\u00e3o sejam assinadas. Tamb\u00e9m a este prop\u00f3sito, algo deve ser dito. Como se depreende do que foi explicado acima, este Dicion\u00e1rio n\u00e3o foi estruturado da forma habitual, ou seja, chamar especialistas tem\u00e1ticos que actualizam o conhecimento e assinam os verbetes. Seguimos um modelo diferente. Inovador? Nem sequer. Apenas as condi\u00e7\u00f5es objetivas do projeto de investiga\u00e7\u00e3o definiram o modelo da pesquisa. A informa\u00e7\u00e3o recolhida e tratada, alguma da qual in\u00e9dita (foram rastreados duzentos e sessenta processos da Inquisi\u00e7\u00e3o na Torre do Tombo), foi sendo publicitada; a seu tempo o grupo de investiga\u00e7\u00e3o organizou, a prop\u00f3sito, Cursos Livres, Col\u00f3quios e Semin\u00e1rios; apresentou comunica\u00e7\u00f5es em Congressos, escreveu artigos que foram publicados em revistas cient\u00edficas.<br \/>\nA edi\u00e7\u00e3o deste Dicion\u00e1rio foi o meio escolhido para dar a conhecer uma pequena parte da informa\u00e7\u00e3o recolhida no decorrer de um projeto de investiga\u00e7\u00e3o, a qual ainda permanece inconclusiva em demasia. N\u00e3o obstante, est\u00e1 a ser usada, na prepara\u00e7\u00e3o de teses de doutoramento e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, correspondendo, deste modo, aos objectivos inicialmente fixados, ou seja, transformar-se em instrumento \u00fatil de trabalho para quem estuda hist\u00f3rica econ\u00f3mica e social da \u00e9poca moderna e o papel que nela tiveram os sefarditas portugueses.<br \/>\nA designa\u00e7\u00e3o de \u201cbolseiros\u201d usada por JAT que, salvo melhor leitura, me parece ter-lhe dado conex\u00e3o depreciativa, \u00e9, como se sabe, a designa\u00e7\u00e3o usual dos utentes das bolsas atribu\u00eddas pela FCT. Durante o per\u00edodo que corresponde \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do projecto tr\u00eas elementos da equipa conclu\u00edram as provas de doutoramento, sete conclu\u00edram o Mestrado, sendo que destes, quatro est\u00e3o a preparar o doutoramento. Trata-se de jovens investigadores que t\u00eam vindo a consolidar aprendizagens e compet\u00eancias, sendo j\u00e1 hoje, inegavelmente, merecedores de comprovado reconhecimento cient\u00edfico.<br \/>\nNa condi\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 inerente, ou seja, a de ser uma investiga\u00e7\u00e3o coletiva, n\u00e3o se acoitam nem se escondem equ\u00edvocos sob anonimato. Inexperi\u00eancias e fragilidades, se existirem, essas, s\u00e3o minhas. Mas depois do que escreveu n\u00e3o lhe reconhe\u00e7o compet\u00eancia \u00e9tica, profissional ou cient\u00edfica que lhe permita dizer o que disse, ou que venha a dizer. <\/p>\n<p>Para acabar de vez, dir-lhe-ei que \u00e9 dif\u00edcil responder com dignidade \u00e0 indignidade. Tirar frases do contexto original e us\u00e1-las como arma de arremesso, \u00e9 como jogar \u00e0 vermelhinha: viciar o jogo para enganar incautos. Como, por exemplo, quando alude ao uso do conceito de valida\u00e7\u00e3o da discursividade historiogr\u00e1fica e distorce a sem\u00e2ntica. Para n\u00e3o falar na demagogia de submundo com que, no seu entender, a FCT gasta dinheiros p\u00fablicos e se permite financiar \u201ccoisas destas\u201d, referindo-se, claro, ao Dicion\u00e1rio. Chegados aqui, as suas palavras j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o uma quest\u00e3o de falta de \u00e9tica, mas sim uma falta de vergonha. <\/p>\n<p>Como se diz na sabedoria antiga Somos escravos das palavras que dissemos e donos das que cal\u00e1mos. No seu caso, acho que, literalmente, as suas palavras amarraram-no, implacavelmente, ao pelourinho. \u00c9 o pre\u00e7o que o cego paga por sonhar que via, quando t\u00e3o s\u00f3 sonhava o que queria. Aconteceu-lhe: s\u00f3 viu o que quis ver. O que \u00e9 grave. Se n\u00e3o estivesse cego, podia ter visto muito mais, porque muito mais havia para ver.<br \/>\nPassou-nos ao lado \u2013 a ambos \u2013 a possibilidade de uma discuss\u00e3o sergiana que, quem sabe, nos levaria ao modelo fecundo de Richard Faynman: \u201cQuem pensar que compreende est\u00e1 provavelmente enganado\u201d. Culpa sua. Lamento. Surpreendeu-me que tenha lan\u00e7ado m\u00e3o a t\u00e3o despudorada artimanha. Importante seria, talvez, saber o que, o qu\u00ea, ou quem o cegou, ou o ajudou a cegar, mas n\u00e3o desfio as contas desse ros\u00e1rio. O seu escrito n\u00e3o poderia ser mais descaradamente desonesto. Por tudo o que fica dito, este assunto morre aqui. <\/p>\n<p>A. A. Marques de Almeida<br \/>\nInvestigador respons\u00e1vel pelo Projeto (FCT) POCTI\/HAR\/42393\/2001<br \/>\nProfessor Catedr\u00e1tico Jubilado da Universidade de Lisboa<\/p>\n<p>* Vem a prop\u00f3sito manifestar estranheza pelo seu comportamento: quando convers\u00e1mos sobre as quest\u00f5es inerentes \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Dicion\u00e1rio tudo isto lhe foi explicado de viva voz, pelo que n\u00e3o pode manifestar desconhecimento. E j\u00e1 agora, tendo tido consigo a aten\u00e7\u00e3o de lhe oferecer, com dedicat\u00f3ria, um exemplar do Dicion\u00e1rio, ainda antes de ter sido apresentado publicamente, parece-lhe curial &#8211; para n\u00e3o dizer outra coisa \u2013 que tenha publicado o seu texto sem ter a considera\u00e7\u00e3o de me escrever uma nota, um simples telefonema, avisando-me do que tencionava fazer?<\/p>\n<p>Lisboa, 10 de Janeiro de 2011.<\/p>\n<p>To read in English, open the next file<\/p>\n<p class='attachment-link'><a href=\"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Carta_Aberta._Versao_em_ingles__1-1.doc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carta_Aberta._Versao_em_ingles__(1).doc<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta aberta a Jos\u00e9 Alberto Tavim a prop\u00f3sito de o \u201cDicion\u00e1rio Hist\u00f3rico dos Sefarditas Portugueses. 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