{"id":9573,"date":"2022-11-18T12:18:57","date_gmt":"2022-11-18T12:18:57","guid":{"rendered":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/as-raizes-portuguesas-2\/"},"modified":"2024-11-28T19:52:02","modified_gmt":"2024-11-28T19:52:02","slug":"as-raizes-portuguesas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/as-raizes-portuguesas-2\/","title":{"rendered":"As ra\u00edzes portuguesas"},"content":{"rendered":"<p class=\"destaqueDescricao\">Por volta de 1695, com 11 ou 12 anos, Diogo Jos\u00e9 Ramos chegou a Vila de Frades, no Alentejo, onde acabaria por casar e ver nascer os primeiros filhos. Diogo Jos\u00e9 Ramos teria sido um dos primeiros elementos da fam\u00edlia Lopez a estabelecer-se em Portugal. A fam\u00edlia paterna (Lopez Ramos) e a materna (Carvajal) tinham ra\u00edzes na Andaluzia, onde Diogo nasceu, mais exactamente em Ossuna. Em Vila de Frades, casou no ano de 1699 com Rosa Margarida, tamb\u00e9m ela oriunda de uma fam\u00edlia com origens andaluzes que se havia fixado em Portugal poucos anos antes, os Rodrigues Rivera: o pai Diogo Rodrigues e o irm\u00e3o Francisco Rodrigues viviam em Torres Vedras, enquanto que um outro irm\u00e3o, Miguel Rodrigues, era estanqueiro do tabaco em Benavente quando foi preso pela Inquisi\u00e7\u00e3o de Lisboa em 1703.<\/p>\n<p class=\"destaqueDescricao\">Ao longo das primeiras d\u00e9cadas de Setecentos, outros elementos da fam\u00edlia Lopez cruzaram a fronteira e estabeleceram-se em Portugal, em particular na prov\u00edncia do Alentejo. Uma das irm\u00e3s de Diogo Jos\u00e9 Ramos, Josefa Maria, residia em Messejana por volta de 1720 e, possivelmente, j\u00e1 se encontraria a viver em Portugal desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, quando se casou com Jos\u00e9 Francisco Gomes, administrador dos tabacos da comarca de Torres Vedras.<\/p>\n<p class=\"destaqueDescricao\">A liga\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia ao neg\u00f3cio do tabaco em Portugal continuaria nos anos seguintes. J\u00e1 na d\u00e9cada de 20, o invent\u00e1rio de bens do processo inquisitorial de Diogo Jos\u00e9 Ramos revela que eram v\u00e1rios elementos da fam\u00edlia Lopez ou de ramos colateriais a operar no neg\u00f3cio do tabaco na regi\u00e3o do Alentejo. Diogo era administrador dos tabacos das comarcas de Beja e Campo de Ourique. O genro Manuel Freire, casado com a sua filha Isabel Maria Rosa, era estanqueiro do tabaco em Santiago do Cac\u00e9m, tal como os parentes Francisco Xavier, na vila de Torr\u00e3o, e Pedro de Torres, em M\u00e9rtola. Em suma, uma rede comercial tecida a la\u00e7os de parentesco permitia a Diogo Jos\u00e9 Ramos controlar o neg\u00f3cio do tabaco numa parte consider\u00e1vel do sul de Portugal no alvor na terceira d\u00e9cada de Setecentos.<\/p>\n<p class=\"destaqueDescricao\">\u00c9 na gera\u00e7\u00e3o seguinte que a fam\u00edlia Lopez finca ra\u00edzes em Portugal. Todos os filhos e parte dos sobrinhos de Diogo Jos\u00e9 Ramos nasceram em solo portugu\u00eas. Os Lopez que acabariam por cruzar o Atl\u00e2ntico e encontrar um novo lar na Am\u00e9rica do Norte tinham em Portugal a sua terra-m\u00e3e. Moses Lopez nasceu em Vila de Frades, foi baptizado com o nome de Jos\u00e9 e como tal viveu at\u00e9 perto dos vinte anos de idade, quando embarcou rumo a Londres e, depois, at\u00e9 Nova Iorque. O irm\u00e3o Aaron Lopez, alias Duarte Lopes, nasceu por volta de 1731, igualmente em local incerto mas seguramente em Portugal, onde viveu at\u00e9 1726, quando rumou \u00e0 Am\u00e9rica na companhia da mulher, da filha e do irm\u00e3o mais novo, Gabriel (alias David Lopez). Anos mais tarde, enviaria o navio Am\u00e9rica com destino a Lisboa, o qual, no regresso, transportou at\u00e9 Newport um outro irm\u00e3o, Miguel (Abraham Lopez), ent\u00e3o j\u00e1 com mais de 45 anos de idade.<\/p>\n<p class=\"destaqueDescricao\">Muitos anos mais tarde, j\u00e1 na d\u00e9cada de 20 do s\u00e9culo XIX, numa carta escrita \u00e0 amiga e parente Priscilla Lopez, Sarah Lopez, ent\u00e3o vi\u00fava de Aaron Lopez e neta de Abraham Rodriguez Rivera (irm\u00e3o de Rosa Margarida, a primeira esposa de Diogo Jos\u00e9 Ramos) recordava a hist\u00f3ria da sua fam\u00edlia, evocando os la\u00e7os que ligavam os Lopez de Newport e de Nova Iorque a Portugal. Anos antes, o marido Aaron, que partira de Portugal ainda na sua juventude, recusava-se a esquecer os amigos e familiares que deixara em Portugal e referia-os com frequ\u00eancia nas cartas que trocava com agentes e parceiros de neg\u00f3cios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por volta de 1695, com 11 ou 12 anos, Diogo Jos\u00e9 Ramos chegou a Vila de Frades, no Alentejo, onde acabaria por casar e ver nascer os primeiros filhos. Diogo Jos\u00e9 Ramos teria sido um dos primeiros elementos da fam\u00edlia Lopez a estabelecer-se em Portugal. A fam\u00edlia paterna (Lopez Ramos) e a materna (Carvajal) tinham [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8799,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-9573","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9573"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9593,"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9573\/revisions\/9593"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8799"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catedra-alberto-benveniste.org\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}