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Raízes - Família Lopez - As raízes portuguesas

Por volta de 1695, com 11 ou 12 anos, Diogo José Ramos chegou a Vila de Frades, no Alentejo, onde acabaria por casar e ver nascer os primeiros filhos. Diogo José Ramos teria sido um dos primeiros elementos da família Lopez a estabelecer-se em Portugal. A família paterna (Lopez Ramos) e a materna (Carvajal) tinham raízes na Andaluzia, onde Diogo nasceu, mais exactamente em Ossuna. Em Vila de Frades, casou no ano de 1699 com Rosa Margarida, também ela oriunda de uma família com origens andaluzes que se havia fixado em Portugal poucos anos antes, os Rodrigues Rivera: o pai Diogo Rodrigues e o irmão Francisco Rodrigues viviam em Torres Vedras, enquanto que um outro irmão, Miguel Rodrigues, era estanqueiro do tabaco em Benavente quando foi preso pela Inquisição de Lisboa em 1703.

Ao longo das primeiras décadas de Setecentos, outros elementos da família Lopez cruzaram a fronteira e estabeleceram-se em Portugal, em particular na província do Alentejo. Uma das irmãs de Diogo José Ramos, Josefa Maria, residia em Messejana por volta de 1720 e, possivelmente, já se encontraria a viver em Portugal desde o início do século, quando se casou com José Francisco Gomes, administrador dos tabacos da comarca de Torres Vedras.

A ligação da família ao negócio do tabaco em Portugal continuaria nos anos seguintes. Já na década de 20, o inventário de bens do processo inquisitorial de Diogo José Ramos revela que eram vários elementos da família Lopez ou de ramos colateriais a operar no negócio do tabaco na região do Alentejo. Diogo era administrador dos tabacos das comarcas de Beja e Campo de Ourique. O genro Manuel Freire, casado com a sua filha Isabel Maria Rosa, era estanqueiro do tabaco em Santiago do Cacém, tal como os parentes Francisco Xavier, na vila de Torrão, e Pedro de Torres, em Mértola. Em suma, uma rede comercial tecida a laços de parentesco permitia a Diogo José Ramos controlar o negócio do tabaco numa parte considerável do sul de Portugal no alvor na terceira década de Setecentos.

É na geração seguinte que a família Lopez finca raízes em Portugal. Todos os filhos e parte dos sobrinhos de Diogo José Ramos nasceram em solo português. Os Lopez que acabariam por cruzar o Atlântico e encontrar um novo lar na América do Norte tinham em Portugal a sua terra-mãe. Moses Lopez nasceu em Vila de Frades, foi baptizado com o nome de José e como tal viveu até perto dos vinte anos de idade, quando embarcou rumo a Londres e, depois, até Nova Iorque. O irmão Aaron Lopez, alias Duarte Lopes, nasceu por volta de 1731, igualmente em local incerto mas seguramente em Portugal, onde viveu até 1726, quando rumou à América na companhia da mulher, da filha e do irmão mais novo, Gabriel (alias David Lopez). Anos mais tarde, enviaria o navio América com destino a Lisboa, o qual, no regresso, transportou até Newport um outro irmão, Miguel (Abraham Lopez), então já com mais de 45 anos de idade.

Muitos anos mais tarde, já na década de 20 do século XIX, numa carta escrita à amiga e parente Priscilla Lopez, Sarah Lopez, então viúva de Aaron Lopez e neta de Abraham Rodriguez Rivera (irmão de Rosa Margarida, a primeira esposa de Diogo José Ramos) recordava a história da sua família, evocando os laços que ligavam os Lopez de Newport e de Nova Iorque a Portugal. Anos antes, o marido Aaron, que partira de Portugal ainda na sua juventude, recusava-se a esquecer os amigos e familiares que deixara em Portugal e referia-os com frequência nas cartas que trocava com agentes e parceiros de negócios.

 

 
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